sexta-feira, 23 de julho de 2010

Quase nada...quase tudo...quase

Quase
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> Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez é a desilusão de
> um quase. É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata
> trazendo tudo que poderia ter sido e não foi. Quem quase ganhou ainda joga,
> quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase
> amou não amou. Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos,
> nas chances que se perdem por medo, nas ideias que nunca sairão do papel
> por essa maldita mania de viver no outono.
> Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor
> não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cór, está estampada na
> distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença
> dos "Bom dia", quase que sussurrados. Sobra covardia e falta coragem até
> pra ser feliz. A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai. Talvez
> esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o
> nada, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não
> teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza. O nada
> não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que
> cada um traz dentro de si.
> Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance,
> para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência
> porém,preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a
> oportunidade de merecer. Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros
> amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou
> economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é
> romance. Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo
> impeça de tentar. Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas
> realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando
> porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.
>
> Sarah Westphal

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